
"Como quem num dia de Verão abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes , de repente , bate-me a natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso , perturbado , querendo perceber
Não sei bem como nem o quê....
Mas quem me mandou a mim querer perceber?
Quem me disse que havia que perceber?
Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim , porque assim o sinto ,é que é meu dever senti-lo...." Fernando Pessoa como Alberto Caeiro
E não se ofendam os puristas de Pessoa quando lhe encontro humor....
De modo nenhum, Annie. É puro espanto juvenil, jovial. Ainda bem que existe em si este olhar, esta capacidade de se surpreender.
Bj.
(sorriso grande na cara)
Mas Pessoa era um homem inteligentíssimo! É claro que também tinha bom humor!
O fantástico da escrita e de outras artes é o facto de cada pessoa poder sentir as palavras à sua maneira.
(sorriso grande na cara)
Mas Pessoa era um homem inteligentíssimo! É claro que também tinha bom humor!
O fantástico da escrita e de outras artes é o facto de cada pessoa poder sentir as palavras à sua maneira.
então annie, por aqui é que a máquina faz greve...
:(((
LE. Quando o meu espanto deixar de ser juvenil e deixar de me surpreender ,acredito que morri :)
Rosinha , cada um de nós lê "um F.P." ,não é ?Nisso está o seu imenso talento,nunca estamos realmente sós quando podemos ler.
O grande Fernando Pessoa dava para tudo... a foto complementa muito bem :)
Afixado por: ognid em junho 29, 2004 02:30 PM