" Hoje de manhã saí muito cedo ,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer.....
Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte , varria para um lado ,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas .
Assim tem sido sempre a minha vida , e
Assim quero que possa ser sempre
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar ."
A.C.
P:S: e que mais uma vez me perdoem os puristas do Fernando Pessoa
Que MARAVILHA, Annie! :)**
Afixado por: M.P. em abril 28, 2005 08:06 PMEles perdoam! :-)
Afixado por: Carlos Tavares em abril 29, 2005 11:45 PMLindo, Annie! Beijinhos
Afixado por: lique em abril 30, 2005 09:23 PMTinha que deixar este...
"Lá fora vai um redemoinho de sol os cavalos do carrossel
Árvores, pedras, montes, bailam parados dentro de mim...
Noite absoluta na feira iluminada, luar no dia de sol lá fora,
E as luzes todas da feira fazem ruído dos muros do quintal...
Ranchos de raparigas de bilha à cabeça
Que passam lá fora cheias de estar sob o sol,
Cruzam-se com grandes grupos peganhentos de gente que anda na feira,
Gente toda misturada com as luzes das barracas, com a noite e com o luar,
E os dois grupos encontram-se e penetram-se
Até formarem só um que é os dois...
A feira e as luzes da feira e a gente que anda na feira,
E a noite que pega na feira e a levanta no ar,
Andam por cima das copas das árvores cheias de sol,
Andam visivelmente por baixo dos penedos que luzem ao sol,
Aparecem do outro lado das bilhas que as raparigas levam à cabeça,
E toda esta paisagem de Primavera é a lua sobre a feira,
E toda a feira com ruídos e luzes é o chão deste dia de sol...
De repente alguém sacode esta hora dupla como numa peneira
E, misturado, o pó das duas realidades cai
Sobre as minhas mãos cheias de desenhos de portos
Com grandes naus que se vão e não pensam em voltar...
Pó de ouro branco e negro sobre os meus dedos...
As minhas mãos são os passos daquela rapariga que abandona a feira,
Sozinha e contente como o dia de hoje..."
(Poema de Fernando Pessoa)
Um abraço e boa noite...;-)