Árvores do Alentejo
Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a benção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!
Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
--- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!
Florbela Espanca
Publicado por annie hall em maio 4, 2005 12:49 PMA Florbela demonstra nestas suas palavras a secura de toda a sua vida. É de um pessimismo revoltante...
Afixado por: Carlos Tavares em maio 4, 2005 03:38 PM A ideia de juntar a foto com o poema foi "uma graça" :) mesmo com a terrivel falta de chuva que atravessamos , nem as minhas árvores nem eu sofremos de pessimismo ou "secura":):))).
Já agora Carlos, as rosas não são de plástico .Começo a pensar que está demasiado tempo afastado das realidades da vida campestre , e o outsider serve apenas e só para levar campo a quem não tem oportunidade de o poder ter por perto:) Portanto aproveite este campo que tento levar a entrar pelo ecran de todos que aqui espreitam ;)
E é sempre de forma tão eficaz que nos traz o seu campo para a cidade!
Eu gostei muito da junção do poema com a fotografia. Realmente são sempre poemas ansiosos e insatisfeitos, mas até acho que isso faz parte da melancolia do Alentejo.
De qualquer forma, aquilo a que sempre achei piada é esta personificação das coisas que ela descreve tão bem. Parece que dá sentimentos ao que a rodeia e que se identifica sempre com o que vê. Nunca tinha pensado nas árvores alentejanas magoadas, a gritar a Deus pela benção de uma fonte!... E imaginá-la a ela, no meio das árvores, com os braços ao ar, a gritar pelo remédio para as suas mágoas, torna o quadro ainda mais expressivo.
Apesar de ser menos para o «lírico» e mais para o «prosaico», quem me dera ter tantas fotografias e tantos poemas sempre «à mão» na minha memória como há neste seu site...
Afixado por: Francisco Laureano em maio 4, 2005 07:23 PMQue saudade dessas paisagens! E tanta recordação guardo delas...
Um abraço e aos seus "meninos" também... ;-)
Afixado por: Menina_marota em maio 5, 2005 12:12 AMNesse caso, Annie, vou começar só a olhar para as suas fotos (que são magníficas) e ter em menos conta as palavras que as acompanham. Quanto ao que a leva a pronunciar-se sobre o desconhecimento da realidade da vida campestre... não sei que responder já que vivo na Guarda. E se alguma vez por aqui passar vai ver que é difícil, mesmo dizendo que se vive numa cidade, dizer que se desconhece a vida campestre...:-)
Afixado por: Carlos Tavares em maio 5, 2005 03:21 PMTem razão .Afinal pode não gostar da florbela....mas não me diga que não gosta do F.P!:)não ia acreditar. Com que então ar de serra!
Afixado por: annie hall em maio 5, 2005 04:20 PMA favorita!
Florbela Espanca...
e o alentejo.
Passa lá nomeu cantinho que também lá tem umas fotos...